A GEOGRAFIA é pensada por muitas pessoas como mera disciplina escolar. Não passa disso!
Para ser bom aluno, se dar bem nessa matéria escolar, você tem que ter uma boa memória. Geografia é puramente decoreba! Decorar estados e suas capitais, siglas, rios, tipos de biomas e suas características, planaltos, planícies, depressões, conjuntos montanhosos... Tantas coisas pra guardar e nada de emoção... (Tem alguma matéria escolar emocionante? Taí, cabe uma pequena reflexão aqui!)
Mas qual o verdadeiro sentido da geografia se ela não é unicamente uma disciplina escolar?
Geografia é ciência, um tipo de conhecimento sistematizado. Todo esse saber só pode ser obtido pelo entendimento do seu objeto de estudo, o Espaço Geográfico. E o que exatamente é o tal de "espaço geográfico"? De acordo com o maior geógrafo brasileiro, o saudoso professor Milton Santos, o espaço geográfico pode ser compreendido como uma espécie de produto, resultado das relações que nós seres humanos estabelecemos com o meio (natural ou antrópico). Todas as transformações que fazemos no ambiente é o "produto" denominado de Espaço Geográfico.
Existem inúmeros espaços geográficos em nosso planeta. Cada um deles com características físicas e humanas que os individualizam. Podemos interpretá-los de diferentes formas, de acordo com as mais diversas metodologias e visões.
Este blog é uma tentativa de refletir essas visões que temos a respeito do espaço geográfico, e para iniciar esse debate, esse espaço de reflexões, gostaria de propor como primeiro tema a TOPOFILIA.
Tuan, geógrafo chinês, explica a topofilia como um "elo que o homem cria com o espaço". Ao pé da letra é o "amor que sentimos por um lugar".
Quais seriam os lugares de Topofilia para você? Um cemitério? Shopping? Um bairro periférico? O centro de alguma cidade? Praia? Campo? Outro país?
Gostaria de colocar em questão três lugares, e que ao término de minha reflexão você possa opinar.
NEW YORK
Um dos principais centros econômicos do planeta! O capitalismo puramente em sua forma urbana, com suas características explícitas. "É" o sonho, o destino de muitos turistas. "É um espaço de topofilia" para muitos. Toda esse vínculo positivo, esse elo, essa topofilia, foram "desmoronados" no dia 11 de setembro de 2001. Hoje as pessoas não sonham com NY como sonhavam antes...
JOHANNESBURGO
Cidade do "mundo periférico", situada no continente esquecido! Palco do apartheid institucionalizado até início da década de 1990. Espaço de medo, miséria, pobreza, fome, violência. Atraso!. Espaço que também foi transformado pela coragem de Mandela, juntamente com todo resto da África do Sul. Em 2010 foi uma das cidades que mais receberam turistas devido a Copa. O mundo viu outra Johannesburgo.
RIO DE JANEIRO
Caso comparado à NY: "(...) Rio, cidade maravilhosa que sempre recebeu muitos turistas atraídos pelas suas belezas naturais, hoje essa cidade está dominada pela violência, pelo medo... O elo foi rompido por vários Bim Laden's, chefes do narcotráfico. Resta apenas um espaço de incertezas e de medo."
Ou ainda poderíamos interpretar a paisagem carioca como o caso que se assemelha à JOHANNESBURGO: "(...) mesmo sofrendo com a onda do medo, gerado por políticas ineficazes, onde os protagonistas são os narcotraficantes, o Rio ainda tem chances de que em 2016 toda essa imagem negativa seja substituída pela positividade das Olimpíadas."
Como é verdadeiramente o Rio de Janeiro?


